Outro Fundador da Microsoft: Paul Allen e o Legado de 1975

Paul Allen viu a capa da Popular Electronics, batizou a Micro-soft e saiu em 1983. A história completa por trás da pergunta.

por Cleverson Gouvêa

Paul Allen, o outro fundador da Microsoft, ao lado de Bill Gates em 1975

Se a pergunta é quem foi, oficialmente, o outro fundador da Microsoft ao lado de Bill Gates, a resposta é curta: Paul Allen. O nome sozinho, porém, esconde a parte boa da história. Foi Allen quem viu a capa da Popular Electronics de janeiro de 1975, convenceu Gates a interromper Harvard e escreveu o código que fez o BASIC rodar em Albuquerque. Vale conhecer o resto.

TL;DR

  • O outro fundador da Microsoft é Paul Gardner Allen (1953–2018), parceiro de Bill Gates desde a Lakeside School, em Seattle.
  • A empresa trata 4 de abril de 1975 como data oficial de fundação, em Albuquerque, Novo México.
  • O nome "Micro-soft" aparece pela primeira vez por escrito em uma carta de Gates a Allen datada de 29 de julho de 1975, registrada na linha do tempo oficial da própria Microsoft.
  • Allen deixou a operação em 1983, após o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, e morreu em 15 de outubro de 2018, aos 65 anos.
  • O legado técnico dele segue vivo na IA de 2026: o Allen Institute for AI (Ai2) publica a família Olmo com pesos, dados e código abertos.

Quem foi o outro fundador da Microsoft segundo a documentação oficial

Paul Gardner Allen. Nascido em Seattle em 1953, dois anos mais velho que Bill Gates, colega dele no clube de computação da Lakeside School e sócio em uma primeira empreitada anterior à Microsoft. Quando a dupla vendeu seu primeiro programa, Gates tinha 19 anos e Allen, 22 — a própria Microsoft descreve assim o episódio no material histórico publicado no Microsoft Learn.

Quem procura pelo outro fundador da Microsoft costuma esbarrar em três nomes errados antes de chegar ao certo. Primeiro, Steve Ballmer: entrou em 1980, virou CEO em 2000 e ficou 14 anos no cargo, mas nunca foi fundador. Segundo, Ed Roberts, da MITS, o fabricante do Altair 8800 — foi o primeiro cliente, não sócio. Terceiro, Monte Davidoff, o estudante de Harvard que escreveu o pacote de ponto flutuante do Altair BASIC: colaborador crucial, sem participação societária.

Nenhum dos três é o outro fundador da Microsoft na acepção societária do termo. A resposta oficial não tem margem: ao lado de Bill Gates, o outro fundador da Microsoft foi Paul Allen. E a divisão de trabalho entre os dois é o que explica por que a empresa deu certo.

1975 em ordem: a linha do tempo que a própria Microsoft registra

A cronologia abaixo vem da documentação histórica da empresa e mostra o que o outro fundador da Microsoft fez em cada etapa daquele ano. É útil porque desmonta um mito comum: a empresa não nasceu de um plano de negócios, nasceu de um produto vendido antes de a sociedade existir formalmente.

Data O que aconteceu
Janeiro de 1975 O MITS Altair 8800 estampa a capa da Popular Electronics. A reportagem convence Allen e Gates a escrever um BASIC para a máquina.
Fevereiro de 1975 Os dois concluem o Altair BASIC e vendem para a MITS, de Albuquerque — o primeiro cliente. É o primeiro programa de linguagem de computador para um computador pessoal.
Março de 1975 Paul Allen entra na MITS como diretor de software.
4 de abril de 1975 Data oficial de fundação da Microsoft, como sociedade entre Gates e Allen, em Albuquerque.
7 de abril de 1975 "Altair BASIC – Up and Running" é a manchete da primeira edição do MITS Computer Notes.
1º de julho de 1975 O BASIC dos dois é distribuído oficialmente como versão 2.0, nas edições de 4K e 8K.
22 de julho de 1975 Allen e Gates assinam o contrato de licenciamento do interpretador BASIC com a MITS. O nome "Microsoft" ainda não existia.
29 de julho de 1975 Em carta a Paul Allen, Gates usa "Micro-soft" — a referência escrita mais antiga que se conhece.
31 de dezembro de 1975 O faturamento do ano fecha em US$ 16.005, conforme o formulário 1065 de declaração da sociedade.

Repare na sequência: produto vendido em fevereiro, sociedade formalizada em abril, nome definido em julho, faturamento anual de cinco dígitos em dezembro. Nenhum unicórnio começou diferente disso — o que muda é a régua de quem conta a história depois.

O nome, aliás, é a fusão de microcomputer e software, e o crédito pela ideia é normalmente atribuído a Allen. O hífen caiu no ano seguinte. Em 1979 a empresa se mudou de Albuquerque para o estado de Washington, perto de casa.

O que o outro fundador da Microsoft fazia que Bill Gates não fazia

Aqui está a parte que o quiz não pergunta e que interessa a quem monta time técnico.

O radar de janela de oportunidade

Allen era o leitor de tendências. Foi ele quem trouxe a revista, quem identificou que o microprocessador barato ia criar um mercado de software para pessoa física e quem insistiu que a janela fechava rápido. O papel do segundo fundador da Microsoft nessa fase foi o de detectar o timing — habilidade que raramente aparece em currículo e que decide o destino de produto.

O engenheiro do improvável

O detalhe técnico é bonito: a dupla escreveu o interpretador BASIC para um computador que nunca tinham tocado, usando um emulador do processador Intel 8080 rodando em um minicomputador PDP-10. Allen escreveu o carregador que colocava o programa na memória do Altair. A demonstração funcionou na primeira tentativa, em Albuquerque, diante do cliente. Qualquer pessoa que já subiu código em ambiente de produção sem homologação idêntica sabe o tamanho desse risco.

O contraponto de sociedade

Gates era o negociador implacável de contratos e licenças. Allen era o cara da arquitetura e do próximo produto. A empresa funcionou enquanto os dois papéis se equilibraram. Quando o desequilíbrio veio — com a doença e com a diluição societária —, a sociedade rompeu.

Por que o segundo fundador da Microsoft saiu em 1983

Allen foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin em 1982 e deixou a operação da Microsoft em 1983, mantendo participação acionária. Ele passou as três décadas seguintes fazendo outras coisas: comprou o Portland Trail Blazers, na NBA, e o Seattle Seahawks, na NFL; financiou pesquisa em neurociência com US$ 500 milhões para o Allen Institute for Brain Science; e doou, ao longo da vida, mais de US$ 2 bilhões.

Morreu em 15 de outubro de 2018, aos 65 anos. A causa imediata foi choque séptico, complicação associada ao linfoma não-Hodgkin que ele tratava desde 2009.

Há uma lição desconfortável embutida aí para sócios de empresas de tecnologia no Brasil: acordo de sociedade sem cláusula clara de afastamento por saúde, sem regra de diluição e sem previsão de saída é uma bomba-relógio. Vi isso acontecer em pelo menos três agências e software houses com que trabalhei em 17 anos de Agathas Web. O contrato social feito às pressas custa mais caro do que qualquer stack.

O legado de Allen está na IA que sua empresa usa em 2026

Isso não é homenagem retórica. O dinheiro do outro fundador da Microsoft financiou uma das instituições de pesquisa mais relevantes do setor. O Allen Institute for AI, o Ai2, sediado em Seattle, é hoje uma das poucas instituições que publicam modelos de linguagem totalmente abertos — pesos, código de treinamento, checkpoints e os conjuntos de dados. A família Olmo segue essa política, e as versões Olmo 3.1 Think 32B e Olmo 3.1 Instruct 32B são distribuídas com os dados de treino e de ajuste fino disponíveis sem restrição de licença.

Por que isso importa para uma empresa brasileira? Porque abertura total é o que permite auditar viés, rodar o modelo em infraestrutura própria e não ficar refém de mudança de preço ou de política de um fornecedor. Quando avaliamos modelo para um projeto de atendimento ou de classificação de documentos, o critério não é só o benchmark: é o que acontece com o cliente se a API subir 40% de preço ou for descontinuada.

Sim, isso já aconteceu — e não é raro. Nós tratamos risco de dependência de terceiros como item de arquitetura, não como detalhe jurídico.

A Microsoft de agosto de 2026: superapp de Copilot e data centers em São Paulo

Enquanto o nome do outro fundador da Microsoft volta a circular em busca, a empresa que ele ajudou a criar está no meio de duas mudanças concretas.

Copilot vira um app só. Em 13 de agosto de 2026, a Microsoft confirmou que vai unificar seus assistentes em um único aplicativo chamado Microsoft Copilot, com ícone novo. A migração começou por mobile e web em meados de agosto e chega ao desktop, no Windows e no macOS, em meados de setembro. Duas funções foram aposentadas em 18 de agosto de 2026: a ferramenta de podcasts e o Deep Research. Grupos, mensagens e conteúdo extra dessas áreas não são migrados. Se a sua operação usava Deep Research em rotina de pesquisa, o prazo já passou — exporte o que existir e reveja o fluxo.

Infraestrutura no Brasil. Em 11 de fevereiro de 2026, no Microsoft AI Tour, a presidente da Microsoft Brasil, Priscyla Laham, anunciou que dois data centers de nuvem e IA já estão em operação no estado de São Paulo, com obras concluídas em janeiro. A localização exata não foi divulgada por segurança. O investimento faz parte do pacote de R$ 14,7 bilhões anunciado em setembro de 2024, com aplicação até 2027, acompanhado da meta de capacitar 5 milhões de brasileiros em IA.

Também em 2026, a Microsoft criou a Microsoft Frontier Company, unidade de US$ 2,5 bilhões com 6 mil especialistas para implantar IA em clientes corporativos, comandada pelo executivo brasileiro Rodrigo Kede Lima.

E Bill Gates, aos 70 anos, continua publicando: em 15 de agosto de 2026 ele voltou ao tema da IA aplicada à saúde, citando dados da OMS sobre o déficit de quase 6 milhões de profissionais de saúde na África Subsaariana. Meio século depois do Altair, os dois fundadores continuam definindo pauta — um pelo que escreve, outro pelo que financiou.

O que a fundação da Microsoft ensina para PMEs brasileiras

As decisões tomadas por Gates e pelo outro fundador da Microsoft em 1975 ainda cabem em um plano de negócios de 2026. Cinco lições que sobrevivem ao teste de 51 anos:

  1. Venda antes de construir a estrutura. O BASIC foi vendido em fevereiro; a sociedade veio em abril. Validar demanda antes de montar CNPJ, time e escritório continua sendo a ordem correta.
  2. Fature pouco sem se envergonhar. US$ 16.005 no primeiro ano. Quem espera o primeiro ano espetacular geralmente não chega ao segundo.
  3. Duplas assimétricas ganham. Um sócio que enxerga o mercado e outro que fecha contrato é combinação melhor do que dois iguais.
  4. Licenciar é mais rentável que vender uma vez. A Microsoft licenciou o BASIC para a MITS em vez de vender o código de uma vez. Cinquenta anos depois, é exatamente o mesmo raciocínio por trás de qualquer SaaS.
  5. Documente a sociedade. A saída de Allen mostra que o combinado precisa estar escrito antes de a vida acontecer.

Esse quinto ponto tem eco direto no Brasil de 2026, com o crescimento de operações digitais que nascem informais e só formalizam depois de faturar.

Como aplicamos essa lógica nos projetos da Agathas Web

Sou desenvolvedor full stack há mais de 15 anos e fundei a Agathas Web em 2008 — o suficiente para ter visto três ciclos de hype completos. A leitura que faço da história da fundação da Microsoft é prática: tecnologia vira negócio quando alguém transforma capacidade técnica em contrato recorrente.

É o que fazemos em três frentes. Em integrações de API oficial do WhatsApp, montamos o canal direto com a Meta em vez de intermediar via plataforma com markup por mensagem — o mesmo princípio de licenciar em vez de revender. Em Moodle e ambientes de EaD, entregamos infraestrutura Linux, Redis e cloud dimensionada para picos reais de acesso, não para o folheto do fornecedor. Em IA aplicada, avaliamos modelo por modelo, incluindo alternativas abertas como as do Ai2, antes de amarrar o cliente a um único provedor.

Se você está avaliando como a IA de fato entra na operação da sua empresa, escrevi sobre o que muda na prática para empresas brasileiras e sobre agentes de IA em rotina corporativa. E se o assunto é a infraestrutura por trás disso, a virada recente da Microsoft em servidores Linux mostra bem como as decisões de plataforma chegam ao custo final.

Conclusão: o nome certo e a lição certa

Ao lado de Bill Gates, o outro fundador da Microsoft foi Paul Allen — e a resposta de uma palavra é a parte menos útil da história. O que vale reter é o método: dois perfis complementares, um produto vendido antes da empresa existir, licenciamento em vez de venda única e US$ 16.005 de faturamento no primeiro ano.

Se a sua operação está nesse estágio de transformar competência técnica em receita previsível, comece pelo básico: escolha um produto que possa ser licenciado, documente a sociedade e não terceirize a decisão de arquitetura. É conversa que gostamos de ter — e que costuma render mais que qualquer trend de busca.

Perguntas frequentes

Quem foi o outro fundador da Microsoft além de Bill Gates?

Foi Paul Gardner Allen, nascido em Seattle em 1953 e morto em 15 de outubro de 2018, aos 65 anos. Allen conheceu Gates no clube de computação da Lakeside School e foi ele quem identificou, na edição de janeiro de 1975 da revista Popular Electronics, que o microcomputador Altair 8800 abriria um mercado de software para pessoas físicas. Os dois escreveram juntos o Altair BASIC e formalizaram a sociedade em 4 de abril de 1975, em Albuquerque, no Novo México. Steve Ballmer, muitas vezes citado por engano, entrou na empresa apenas em 1980 e nunca foi fundador.

Em que data e onde a Microsoft foi fundada oficialmente?

A Microsoft trata 4 de abril de 1975 como data oficial de fundação, em Albuquerque, no Novo México, cidade escolhida por ser a sede da MITS, fabricante do Altair 8800 e primeira cliente da dupla. O nome, porém, veio depois: o contrato de licenciamento do interpretador BASIC foi assinado com a MITS em 22 de julho de 1975, quando a marca ainda não existia, e a primeira menção escrita conhecida a Micro-soft está numa carta de Bill Gates a Paul Allen datada de 29 de julho de 1975. O hífen caiu no ano seguinte, e a empresa se mudou para o estado de Washington em 1979.

Por que Paul Allen deixou a Microsoft em 1983?

Allen foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin em 1982 e deixou a operação da empresa em 1983, mantendo participação acionária relevante. Ele dedicou as três décadas seguintes a investimentos, esporte e filantropia: comprou o Portland Trail Blazers, da NBA, e o Seattle Seahawks, da NFL, destinou US$ 500 milhões ao Allen Institute for Brain Science e doou, ao longo da vida, mais de US$ 2 bilhões. Morreu em 15 de outubro de 2018, de choque séptico, complicação ligada ao linfoma não-Hodgkin que tratava desde 2009.

Qual foi o primeiro produto da Microsoft?

O Altair BASIC, concluído em fevereiro de 1975 e vendido à MITS, de Albuquerque, primeira cliente da empresa. Foi o primeiro programa de linguagem de computador feito para um computador pessoal. O detalhe técnico impressiona até hoje: Gates e Allen escreveram o interpretador sem nunca ter tocado em um Altair, usando um emulador do processador Intel 8080 rodando em um minicomputador PDP-10. A versão 2.0 foi distribuída oficialmente em 1º de julho de 1975, nas edições de 4K e 8K. O faturamento da sociedade naquele primeiro ano fechou em US$ 16.005.

O legado de Paul Allen ainda influencia a inteligência artificial em 2026?

Sim, e de forma bem concreta. O Allen Institute for AI, conhecido como Ai2, sediado em Seattle, é uma das poucas instituições que publicam modelos de linguagem totalmente abertos: pesos, código de treinamento, checkpoints e conjuntos de dados. A família Olmo segue essa política, incluindo as versões Olmo 3.1 Think 32B e Olmo 3.1 Instruct 32B. Para empresas brasileiras, isso tem valor prático: permite auditar viés, rodar o modelo em infraestrutura própria e reduzir dependência de um único fornecedor de API, um risco que vira custo quando o preço muda ou o serviço é descontinuado.